Outubro Rosa 2025: Dúvidas Respondidas
Publicada em 27/10/2025

Durante a campanha Outubro Rosa 2025, a equipe de saúde reuniu perguntas enviadas por servidoras e familiares e contou com a colaboração da ginecologista Dra. Daniele Cidade Castello Branco Rodrigues (CRM 13063-DF), especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade de Brasília (UnB), com atuação em oncologia ginecológica.
A iniciativa reforça o compromisso institucional com a educação em saúde e a prevenção do câncer de mama e do colo do útero, promovendo o acesso à informação confiável e incentivando o acompanhamento médico regular.
PERGUNTA 1: “Minha esposa pergunta o que são calcificações puntiformes no parênquima bilateral?”
As calcificações puntiformes mostradas no exame de mamografia consistem em achados benignos correspondentes a calcificações de vasos sanguíneos presentes na mama. São achados benignos que não irão desaparecer e que não aumentam risco de câncer. O ideal é manter acompanhamento anual com o ginecologista e realizar a mamografia com intervalos de 1 ano.
PERGUNTA 2: “Gostaria que me informassem sobre a atualização de um novo exame para detectar câncer no colo do útero, que não seja o papanicolau.”
O novo exame implementado como auxílio no diagnóstico precoce para o câncer de colo uterino é o teste para detecção de HPV de alto risco (genotipagem). Esse exame mostrará a presença ou não de tipos de HPV que têm mais chance de induzir a formação de câncer no colo. Sabemos que o grande responsável pelo câncer de colo uterino é o HPV DE ALTO RISCO, sendo esse índice atribuído a mais de 99% dos casos dessa neoplasia maligna. Com isso, a identificação do agente causador de forma precoce possibilita um maior cuidado e melhor rastreio para possíveis alterações pré-cancerígenas. Agende sua consulta na ginecologia para que esse exame de alta performance possa ser realizado.
PERGUNTA 3: “Minha mãe teve câncer há 28 anos, com 54 anos, na mama direita. No início de outubro/2025, ao mostrar a mamografia ao mastologista, o médico solicitou a ela - agora com 82 anos - uma biópsia da mama esquerda, que posteriormente constatou câncer nas duas amostras retiradas. Pergunto: Podemos ainda considerar que uma mulher está curada de câncer sem ter recorrência por 5 anos ou mais anos após o tratamento? No caso da minha mãe, ela se considerava curada, mas, infelizmente, retornou após 28 anos.”
Provavelmente o diagnóstico da sua mãe seja um novo câncer, principalmente devido ao fato de ter um intervalo de tempo tão grande. É importante considerar os tipos histológicos (resultado da biópsia) dos dois casos. A cura é realmente considerada com 5 anos livre da doença. Por isso o acompanhamento é tão importante. No seu caso, como filha, o rastreio anual com mamografia é indispensável.
PERGUNTA 4: “Existe associação entre o consumo regular de leite e o risco de desenvolvimento de câncer de mama?”
Não existem trabalhos científicos de qualidade que confirmem essa hipótese. A restrição ao consumo de leite e derivados deve ocorrer na presença de alguma intolerância ou alergia ao leite. Deve-se manter o acompanhamento regular com o ginecologista e realizar mamografia anualmente.
PERGUNTA 5: Tenho um nódulo ou cisto visível apenas na mamografia, mas não na ultrassonografia. Devo fazer ressonância magnética?
Existe uma diferença importante entre nódulo e cisto. Os nódulos precisam ser acompanhados com exames de imagem em um intervalo de tempo menor se considerado o protocolo de rastreio habitual. Os cistos não estão diretamente relacionados a um maior risco de câncer de mama, não conferindo preocupação.
A ressonância é um exame complementar que não substitui a mamografia e deve ser solicitado conforme o achado na mamografia/ ecografia mamária. A avaliação e conduta dependem de cada caso. A presença de prótese mamária não atrapalha a detecção de nódulo suspeito. Sugiro marcar consulta na ginecologia para identificar a necessidade de exame adicional.
“O cuidado com a saúde da mulher começa pela informação e pela prevenção. Consultar o médico regularmente e manter o rastreamento é o caminho mais eficaz para garantir diagnóstico precoce e salvar vidas.” — Dra. Daniele Cidade Castello Branco Rodrigues, mastologista (CRM 13063-DF).
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