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Cigarros Eletrônicos

Uso de Cigarro Eletrônico: riscos sob a lupa da Saúde Bucal

Publicada em 09/10/2024, por Juliana Estevam - Técnica do MPU/Odontologia e Daienne Melo – Estagiária/Odontologia

As ações de controle do tabagismo foram responsáveis pela diminuição no número de fumantes no Brasil. Entre outros motivos, isso fez com que as grandes empresas de tabaco passassem a investir em cigarros eletrônicos, que são vistos como menos prejudiciais que os cigarros tradicionais e se tornaram populares entre os jovens principalmente devido aos diferentes sabores disponíveis.

Os cigarros eletrônicos ou vapes são dispositivos que liberam nicotina e outros aditivos em forma de vapor. Além de conter nicotina, esses dispositivos contêm produtos químicos aromatizantes, substâncias do tabaco, formaldeído, glicerol e metais pesados. A quantidade dessas substâncias varia muito entre as marcas. Tais substâncias são liberadas quando os cigarros eletrônicos são aquecidos, o que pode afetar negativamente as células da boca e outras partes do corpo, com consequências locais e também sistêmicas.

 Estudos recentes indicam que esses dispositivos podem causar problemas no sistema respiratório e na boca (Araújo et al., 2023). A literatura científica menciona sintomas orais como boca seca, sensação de queimação, irritação, dor e lesões na mucosa oral causados pelo uso de cigarros eletrônicos. Complementarmente, a diminuição do fluxo de saliva pode aumentar o risco de cáries dentárias, doenças gengivais e infecções como candidíase (De Lima et al., 2023).

Apesar de ainda serem necessárias mais pesquisas para descrever os efeitos de longo prazo do cigarro eletrônico, especialmente em relação aos tecidos da boca, dada a diversidade de produtos disponíveis no mercado, os usuários devem estar cientes de que evidências já indicam que esses dispositivos não são seguros. Casos de câncer oral têm sido relatados em pessoas que usam intensamente cigarros eletrônicos, mesmo sem outros fatores de risco convencionais (Hamad et., 2021; Santos et al., 2022).

Desde 2009, a Anvisa proibiu a venda, a importação e a publicidade de qualquer dispositivo eletrônico para fumar no Brasil, devido à falta de evidências científicas sobre sua segurança e eficácia como ferramenta reduzir o consumo de tabaco e cigarro tradicional. No entanto, o uso de vape continua aumentando!

Para saber mais sobre o assunto acesse: https://coopex.unifip.edu.br/index.php/coopex/article/view/514

Referências

ARAÚJO, Júlia Mateus Lima et al. Alterações morfofisiológicas na cavidade oral e o risco de câncer bucal associado ao uso de cigarros eletrônicos-uma revisão da literatura. Revista Coopex., v. 14, n. 5, p. 3745-3758, 2023.

DE LIMA, J. M. et al. E-liquid alters oral epithelial cell function to promote epithelial to mesenchymal transition and invasiveness in preclinical oral squamous cell carcinoma. Scientific Reports, v. 13, n. 1, p. 1–10, 2023.

HAMAD, S. H. et al. Pilot study to detect genes involved in DNA damage and cancer in humans: Potential biomarkers of exposure to e-cigarette aerosols. Genes, v. 12, n. 3, 2021.

NASCIMENTO, K. L. DO et al. Os Efeitos Do Cigarro Eletrônico Na Saúde Bucal: Revisão Integrativa. Centro de Pesquisas Avançadas em Qualidade de Vida, v. 16, n. V16N2, p. 1, 2024.

SANTOS, G. A.; CARDOSO, E. M. F. S.; GUEDES, C. DO C. F. V. Fatores de risco para o câncer bucal. Research, Society and Development, v. 11, n. 15, p. e100111536874, 2022. 

 

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