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Workshop multidisciplinar sobre prevenção e tratamento do excesso de peso

Estratégias eficazes para prevenção da obesidade, emagrecimento e manutenção da saúde a longo prazo

Publicada em 01/08/2025

O Ministério Público Federal (MPF) realizou, no dia 29 de julho de 2025, por meio da plataforma Zoom, o primeiro encontro do Workshop de Prevenção e Tratamento do Excesso de Peso, uma iniciativa voltada à promoção de hábitos saudáveis e à disseminação de informações seguras sobre saúde, nutrição e atividade física. Com duração de cerca de 90 minutos, o evento reuniu profissionais experientes da área da saúde, promovendo um espaço de aprendizado dinâmico e interativo.

O objetivo principal foi ampliar o acesso dos servidores do MPF a conhecimentos atualizados e confiáveis, combatendo a desinformação frequentemente propagada na internet e estimulando mudanças práticas no estilo de vida dos participantes.

Um problema crescente e complexo: o excesso de peso

A médica endocrinologista Dra. Natália de Sousa Zufelato apresentou dados recentes do Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas), que mostram o avanço da obesidade no Brasil: em 2008, 12% da população era obesa; em 2023, esse número saltou para 21,9%. Já o excesso de peso, que inclui sobrepeso e obesidade, passou de 46% para 60% no mesmo período, com prevalência maior entre os homens.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é caracterizada pelo acúmulo anormal ou excessivo de gordura corporal, sendo reconhecida como uma doença crônica de origem multifatorial — envolvendo genética, metabolismo, ambiente, comportamento e aspectos sociais. Essa condição, por sua complexidade, exige tratamento contínuo e multidisciplinar, com suporte técnico e emocional.

O Índice de Massa Corporal (IMC) — relação entre peso e altura ao quadrado — foi apresentado como ferramenta básica para classificação do estado nutricional. No entanto, seus limites também foram discutidos: o IMC não diferencia massa muscular de gordura nem identifica a distribuição da gordura corporal. Métodos mais precisos incluem bioimpedância, pregas cutâneas e exames de imagem.

Fatores genéticos foram destacados como influências significativas — por exemplo, filhos de pais obesos têm até 80% de chance de também desenvolver obesidade — mas não determinantes. O ambiente, a alimentação, o sono, o estresse, o sedentarismo e o uso excessivo de tecnologia também contribuem diretamente para o quadro.

Alimentação saudável vai além de calorias

A nutricionista Dra. Amanda Branquinho Silva explicou que a reeducação alimentar não é uma dieta temporária, mas um processo contínuo de mudança de hábitos. Para orientar o público, ela utilizou a classificação do Guia Alimentar para a População Brasileira, que separa os alimentos em:

  • In natura ou minimamente processados: frutas, legumes, castanhas, arroz, ovos e carnes frescas. Devem ser a base da alimentação.
  • Processados: alimentos e preparações que tem adição de sal, açúcar ou gordura, como queijos e pães caseiros.
  • Ultraprocessados: alimentos com muitos aditivos químicos (conservantes, corantes, aromatizantes), como refrigerantes, bolachas recheadas e embutidos. Devem ser evitados.
  • Ingredientes culinários: sal, açúcar, óleo e gordura — devem ser utilizados com moderação nas preparações culinárias.

Ela apresentou dicas práticas para a montagem das refeições diárias:
No café da manhã, priorizar opções integrais e lembrar de incluir proteínas e frutas; nos lanches intermediários, combinar frutas com oleaginosas ou iogurte natural; no almoço, montar o prato com vegetais, cereais integrais, leguminosas e proteínas magras; e optar por um jantar leve, lembrando de incluir os vegetais também nessa refeição. Para sobremesas, recomendou frutas que ajudam na digestão (abacaxi, mamão) ou um pequeno pedaço de chocolate amargo.

Além disso, destacou a importância de ler rótulos, planejar as refeições e praticar a alimentação consciente — ou seja, comer com atenção, mastigando bem e observando os sinais de fome e saciedade.

A proteína e o controle glicêmico

Foi abordado o papel das proteínas no emagrecimento, cuja ingestão adequada deve ser distribuída ao longo do dia. A recomendação média para adultos é de 1 a 1,2g de proteína por quilo de peso corporal. A nutricionista também explicou o impacto dos carboidratos refinados sobre a insulina e o risco de resistência insulínica, ressaltando que refeições completas — combinando carboidratos com fibras, gorduras boas e proteínas — favorecem o controle glicêmico.

Dietas restritivas, como as low carb extremas, foram desaconselhadas devido à baixa sustentabilidade e possíveis efeitos adversos, como sobrecarga renal ou aumento do colesterol.

Movimento: a base do equilíbrio metabólico

O professor e nutricionista Dr. Alan de Carvalho Dias Ferreira reforçou que a prática de atividade física regular é essencial tanto para a perda quanto para a manutenção do peso corporal. Ele utilizou uma analogia simples: "A alimentação é o combustível; o exercício, a manutenção da máquina".

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade física moderada — o equivalente a 30 minutos, 5 vezes por semana. Um quiz aplicado no encontro mostrou que a maioria dos participantes ainda está abaixo dessa meta.

O especialista sugeriu estratégias para cada grupo:

  • Sedentários: começar com pequenas mudanças, como subir escadas, caminhar mais, fazer tarefas domésticas com mais intensidade ou encontrar uma atividade prazerosa.
  • Intermediários: monitorar o tempo de exercício com aplicativos ou relógios inteligentes.
  • Ativos: diversificar os treinos e manter uma rede de apoio para garantir continuidade.

O papel dos medicamentos e os mitos sobre o tratamento

A Dra. Natália abordou ainda o uso racional de medicamentos no tratamento da obesidade. Segundo ela, o tratamento medicamentoso é indicado para pessoas com IMC acima de 30 ou acima de 27 com comorbidades como diabetes e hipertensão.

Ela destacou os medicamentos aprovados pela ANVISA, como sibutramina, orlistate, bupropiona + naltrexona, além dos injetáveis mais modernos, como liraglutida (Saxenda), semaglutida (Ozempic/Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro). Embora eficazes, esses medicamentos requerem acompanhamento médico e podem causar efeitos colaterais gastrointestinais.

Também foram discutidos os perigos da automedicação e o uso de produtos “naturais” vendidos pela internet — muitos dos quais contêm substâncias controladas ou tóxicas, com risco real de hepatite medicamentosa.

Manutenção do peso: uma jornada contínua

Por fim, foram desfeitos mitos frequentes relacionados ao emagrecimento, como:

  • O "efeito rebote" não é causado pela medicação, mas pela suspensão do tratamento de uma doença crônica.
  • O reganho de peso não é um fracasso, mas parte do mecanismo fisiológico de proteção do corpo.
  • A chave da manutenção é o acompanhamento contínuo, com metas pequenas, monitoramento do peso, atividade física regular e alimentação equilibrada.

A experiência compartilhada mostrou que o processo de mudança não é linear, e o mais importante é a persistência e a construção de um estilo de vida mais saudável, com apoio profissional e social.

Dúvidas dos participantes

Durante todo o encontro, a nutricionista Dra. Raquel Costa Ferreira acompanhou o chat em tempo real, respondendo às dúvidas enviadas pelos participantes e esclarecendo pontos práticos sobre alimentação, nutrição e hábitos de vida. Entre os temas mais recorrentes que ela abordou, destacam-se:

  • Consumo de ovos e colesterol: esclareceu que, para a maioria das pessoas, o consumo de até seis ovos por semana não eleva significativamente o colesterol, sendo mais relevante controlar a ingestão de gorduras saturadas e trans.
  • Distribuição de proteínas ao longo do dia: reforçou que fracionar a ingestão de proteínas em todas as refeições é mais eficiente do que concentrar em apenas uma delas.
  • Alternativas para controlar a vontade de doces: sugeriu reduzir gradualmente a quantidade consumida, substituindo sobremesas muito açucaradas por frutas e, se possível, optar por pequenas porções de chocolate amargo.
  • Importância da hidratação: destacou que a água é insubstituível para o funcionamento adequado do metabolismo, e que bebidas adoçadas não cumprem esse papel.

Essa participação garantiu que dúvidas individuais fossem respondidas de forma personalizada, complementando as explicações dos demais especialistas e enriquecendo o aprendizado coletivo.

Segundo Encontro: 26 de agosto 
O workshop continua com a proposta de acompanhamento ativo. O segundo encontro ao vivo, agendado para 26 de agosto, será uma oportunidade para os participantes compartilharem seus avanços, trocarem experiências e receberem novos direcionamentos. Até lá, o grupo do Zoom seguirá ativo com desafios, dicas e interação direta com a equipe de saúde.

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